Domingo, 05 de Setembro de 2010 Quem disse que dinheiro não dá em árvore? | www.mudasdeeucalipto.bio.br
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RESUMO
Neste trabalho é feita uma breve revisão sobre a obtenção de óleos essenciais de eucalipto. É dada atenção especial ao Eucalyptus citriodora, principal matéria prima na extração destes óleos no Brasil. Os óleos essenciais possuem diversas aplicações na indústria farmacêutica, química e cosmética. O principal constituinte do óleo extraído do E. citriodora é o citronelal que é bastante usado na indústria de perfumaria. No óleo extraído a quantidade de citronelal está na faixa de 65% a 85%. O método de extração mais usado para os óleos de E. citriodora é o de destilação de arraste com vapor cujo rendimento é de 1,6%.
1.INTRODUÇÃO
O gênero eucalipto é cultivado principalmente como fonte de madeira para produção de pasta de celulose, papel, painéis, postes, mourões, energia e carvão, além esses opções o eucalipto oferece outra importante matéria prima: os seus óleos essenciais. Os óleos essenciais são encontrados em plantas e animais. São originários do metabolismo sendo o reino vegetal seu maior fornecedor. A função dos óleos essenciais em plantas associa-se à atração de insetos, para fins de polinização, ou então na repulsão destes, e de outros seres vivos, como arma de defesa.
A aplicação dos óleos essenciais pelo homem vem de tempos Antes de Cristo. Civilizações japonesas, chinesas e egípcias usavam como incenso para mortos, embalsamamento e como matéria prima para perfumes. Nos tempos atuais, os óleos essenciais podem ser de origem artificial ou natural e possuem aplicação em diversas áreas, sendo constituinte primário ou secundário da indústria de perfumes, medicamentos, indústria química, como combustíveis, conservantes, inseticida, entre outros (Ciniglio, 1993) (Romani,1972).
A cultura do eucalipto para extração de óleos essenciais representa uma fonte importante de divisas, sendo o Brasil um dos maiores produtores mundiais, juntamente com Austrália, Portugal e Espanha. A produção deste óleo no Brasil em 1995 foi de aproximadamente 1000 toneladas anuais, sendo uma grande parcela destinada à exportação (90%). Estima-se que no início dos anos 90 a produção mundial tenha sido de aproximadamente 5000 toneladas ano-1 (Vitti & Brito, 1999).
Dentre as várias espécies de eucalipto existentes (algumas centenas) três merecem atenção especial na produção de óleo essencial no Brasil: o Eucalyptus citriodora, o Eucalyptus globulus e o Eucalyptus staigeriana. Entre estas três espécies apenas o E. citriodora possui também utilidade na produção de mourões, postes e lenha (Ciniglio, 1993) (Romani,1972).
O Objetivo desse trabalho é relatar os aspectos gerais do uso de óleos essenciais de eucalipto.
2. A COMPOSIÇÃO DO ÓLEO ESSENCIAL DE EUCALIPTO
A composição dos óleos essenciais de eucalipto pode ser separadas em três grupos, de acordo com os componentes químicos e aplicação:
i) óleos medicinais: exigem que pelo menos 70% da sua composição seja constituído de cineol ou eucaliptol;
ii) óleos de perfumaria: exigem como base o citronelal em teor mínimo de 70% e
iii) óleos essenciais industriais: devem ser ricos em felandrenos ou piperitona.
O rendimento na produção de óleo no E. citriodora é de aproximadamente 1,6% (aproximadamente 250 kg ha-1) sendo que possui em suas folhas um teor de óleo contendo de 65% a 85% de citronelal, muito usado na indústria de perfumaria. Estes rendimentos e o teor de citronelal é dependente de alguns fatores externos, tais como: clima, condições de plantio, solo, origem das plantas, presença de macronutrientes e boro no crescimento das plantas, entre outros (Ciniglio, 1993) (Mafeis et al. 2000).
Na composição do óleo do E. citriodora encontra-se, além do citronelal, geraniol, cineol, isopulegol, pinenor e sesquiterpenos.
Segundo Mafeis et al. 2000, o teor de óleo que pode ser extraído do E. citriodora é afetado pela omissão de alguns macros e micronutrientes. Por exemplo: a ausência de nitrogênio e boro comprometem a produção de folhas o que leva a uma redução na produtividade de óleo . No caso da ausência de potássio e boro o teor de citronelal não chega a 70%.
As características físico-químicas do óleo do E. citriodora segue o da Tabela 01 abaixo.
Tabela 01 - Propriedades físico-químicas do óleo essencial do E. citriodora.
TESTES EFETUADOS
RESULTADOS
Peso específico
0,859 a 0,870
Índice de refração
1,4490 a 1,4560
Constituinte principal
citronelal (70% a 80%)
Solubilidade em álcool (80% v/v)
1:1,3 a 1:1,7 partes
3. MÉTODOS DE EXTRAÇÃO
Existem vários métodos de extração para obtenção de óleos essenciais. A utilização do método é dependente da matéria prima (folha, flor, fruto, semente, casca, cerne raiz). No caso de eucalipto a parte mais usada é a folha e terminais de galhos.
Entre os métodos mais usados pode-se citar os mecânicos, com solventes químicos, destilação e gordura fria, também denominada enfleurage.
Os métodos mecânicos são de expressão mecânica e é usado na obtenção de óleos cítricos. O método de gordura fria é usado na obtenção de óleos de flores e que são sensíveis ao calor. O método de extração por solvente químico é usado na obtenção de óleos de semente.
Dentre métodos de extração de óleos de eucalipto citados acima, o mais usado é a da destilação. Os métodos de destilação podem ser: destilação com água, destilação com arraste à vapor sob baixa pressão e destilação com arraste à vapor com alta pressão.
O método de destilação com água é o mais simples e consiste em uma reservatório (dorna no caso de indústrias e balão de destilação no caso de laboratório) onde a matéria prima é colocada juntamente com água. Este reservatório é ligado a um condensador por onde há fluxo de água para refrigeração. A mistura água e matéria prima são aquecidas diretamente. O vapor produzido na destilação condensa-se no condensador e é recolhido. A separação se faz facilmente pelo fato do óleo e água não serem miscíveis.
No método de destilação com arraste à vapor sob baixa pressão o aquecimento da matéria prima não é feita de forma direta mas indiretamente por passagem de vapor de água pela matéria prima. Ao ser extraído, a água vaporizada e óleo, condensam-se em condensador resfriado com água e a mistura é separada por não serem miscíveis.
No método de destilação com arraste a vapor com alta pressão o sistema usado é igual ao anterior mas o vapor é super aquecido e a pressão interna no sistema é superior à atmosférica.
Após a extração o óleo, chamado de óleo cru, pode ser redestilado para separação de componentes ou simplesmente filtrado, clarificado e seco. O tempo gasto para a destilação é de 50 minutos a 60 minutos.
Na Figura 01 pode ser visto um esquema para destilação de óleo. A matéria prima (folhas) contendo óleo a ser extraído é colocada no destilador que contém fundo coberto com tela de aço inox. O vapor proveniente de uma caldeira passa pela material vindo da parte inferior e arrasta o material destilável que é condensado no condensador. O material destilado é então separado no vaso separador (Ciniglio, 1993) (Vitti & Brito, 1999).
Figura 01 – Esquema de um conjunto destilador para óleos leves.
4. CONCLUSÕES
De acordo com o esse estudo pode-se fazer as seguintes conclusões:
A Extração de óleo essencial pode ser uma alternativa viável para pequenos produtores rurais, principalmente ser for utilizada a espécie E. citriodora, que apresenta as melhores condições.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CINIGLIO, G., In: Eucaliptus para a produção de óleos essenciais, ESALQ-USP, Piracicaba, 1993.
MAFFEIS, A.R., SILVEIRA, R.L.V.A. E BRITO, J.O., Reflexos das deficiências de macronutrientes e boro no crescimento de plantas, produção e qualidade de óleo essencial em Eucalyptus citriodora, Scientia Florestalis, 57, 87-98, 2000.
OLIVEIRA, C. L. F.; LIMA, I. L., Óleos essenciais de eucalipto. In: IV Simpósio de Ciências Aplicadas da FAEF. Anais...- Garça: FAEF, 2001, pg 107-111.
ROMANI, R.A. , In: Óleos essenciais de eucalipto, ESALQ-USP, Piracicaba, 1972.
VITTI, A.M.S., BRITO, J.O., Avaliação do rendimento e do teor de citronelal do óleo essencial de procedência e raças locais de Eucalyptus citriodora. Scientia Florestalis, 56, 145-154, 1999.
Por: Israel Luiz de LIMA e Cássio Luís Fernandes de OLIVEIRA
O EUCALIPTO NÃO É VILÃO 18/06/2009